São Paulo, 22 de Maio de 2013
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Edição nº 03 » Matriarca da tradição
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FIGURAS

MATRIARCA DA TRADIÇÃO.

Elpídio dos Santos foi um dos mais prolíficos compositores brasileiros do século 20, o preferido do cineasta Mazzaropi, para quem fez dezenas de trilhas sonoras. Infelizmente, para a grande maioria o seu nome não diz muito. Esse descaso cultural seria ainda maior, não fosse a dedicação da viúva, Cinira Pereira dos Santos, que após o falecimento do marido, em 1970, guardou e catalogou todas as suas obras: mais de mil composições, além de esculturas, poemas e desenhos.

Cuidadosa, preservou não apenas a história do companheiro, mas incutiu nos sete filhos o orgulho pela obra do pai. Anos depois, ao constatar que a veia artística fluía na nova geração, dona Cinira amadrinhou o grupo Paranga, integrado pelos filhos do casal, que divulga as músicas do patriarca e outras expressões do Vale do Paraíba, região onde fica o município paulista São Luís de Paraitinga, berço do clã.

Hoje, o grupo conta apenas com dois filhos, mas os outros continuam envolvidos com música, literatura, teatro, artes plásticas. “Passamos a nos dedicar a outras formas de arte”, explica Maria Cinira dos Santos, a Nena, ex-cantora do Paranga. Além de apoiar todas as atividades dos filhos, inclusive o recente Instituto Elpídio dos Santos, voltado para a preservação do acervo e educação musical, a matriarca de 80 anos também pinta e esculpe em papel machê.

São bandeiras da Festa do Divino, Folia de Reis, máscaras e bonecos de carnaval, tudo seguindo as técnicas tradicionais. “Dona Cinira é uma referência para todos. Contadora de estórias, sabe tudo sobre o passado da região e a cultura local. É patrimônio da cidade”, diz Galvão Frade, diretor de Cultura da prefeitura. Leonardo Leão