São Paulo, 23 de Maio de 2013
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Edição nº 02 » Espantalhos, relicários e arte amazônica
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BENS DE RAIZ

DESIGN DE RAIZ. TRADIÇÃO AMAZÔNICA É RECRIADA A PARTIR DAS MODERNAS TENDÊNCIAS DO DESIGN DE PRODUTO.

O projeto Design Tropical da Amazônia, implementado pela Fucapi (Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica), une o design moderno à tradição da cultura amazonense, para produzir luminárias, bancos, esculturas, totens, castiçais e outros objetos de decoração. Sob a coordenação do designer e arquiteto Luiz Galvão, as peças são feitas pelas mãos dos moradores de cidades como Novo Airão, São Gabriel da Cachoeira ou Vila Paricatuba, no interior do estado do Amazonas. O grupo trabalha a partir de resíduos florestais, gerando renda às comunidades e preservando o ecossistema da região. As peças – em madeiras como tamboril, pequiá, tatajuba ou abu – são esteticamente limpas, em conformidade com uma política de desenvolvimento sustentável, tendência dos melhores projetos de design do mundo moderno.

O Artesanato Solidário/ArteSol é uma organização que trabalha na revitalização do artesanato de tradição. Aproxima os criadores de todo o país de um mercado consumidor. Várias peças de cerâmica, rendas e bordados, trançados e cestarias, escultura e entalhe em madeira, tecelagem e fiação e brinquedos fazem parte do seu catálogo de produtos. São objetos criados no Brasil inteiro, como a boneca de argila produzida em Coqueiro Campo, Minas Gerais, à esquerda. comunidade que cria peças decoradas com flores e padrões numa argila de cor muito clara, ou o jogo americano da cidade baiana de Entre Rios, confeccionado com a palha de piaçava. E os criadores brasileiros nunca esquecem dos brinquedos para as crianças. Como a pombinha de Abaetetuba, cidade paraense onde são produzidos brinquedos de miriti, um tipo de palmeira nativa de áreas alagadiças, todos bem coloridos. O Artesanato Solidário/ArteSol não vende para o consumidor final, tem um valor mínimo e atende a lojistas, arquitetos e decoradores, colecionadores e instituições de arte.

ESPANTALHOS NA ÁRVORE. A ARTISTA PLÁSTICA ANA IVO OFERECE ESPANTALHOS PARA AFASTAR O MAU HUMOR NO NATAL.
A ex-médica Ana Maria Ivo Meio do Monte conheceu a tradição dos espantalhos no sertão pernambucano de Serra Talhada. Ficou impressionada com a praticidade das soluções: “Uma latinha pendurada no meio do campo é um espantalho. Não era nada daquilo que eu entendia e conhecia”, diz. A partir dessa primeira aproximação, a artista plástica alagoana, residente no Recife, começou a fazer espantalhos de pano além dos seus quadros e esculturas. De tamanhos variados, com espelhinhos, medalhinhas e fitas costuradas no corpo, os espantalhos começaram a fazer sucesso entre os amigos da artista, principalmente porque ela os fazia com o rosto dos respectivos donos – e fará o mesmo para quem assim encomendar. Ana Ivo sabe que, para o público de uma grande cidade, um espantalho para trazer boas colheitas e afastar predadores não faz muito sentido. “Mas os espantalhos também espantam mau-olhado, afastam inveja, congelam mau humor”, diz a artista, que recomenda que sejam usados para decorar a árvore de Natal, junto a uma cestinha com pedidos para as pessoas queridas.

TODOS OS SANTOS DE UMA INCRÉDULA. Produtora E ATÉIA, INÉS ZARAGOZA CRIA RELICÁRIOS QUE REVELAM O SINCRETISMO BRASILEIRO.
São pequenas caixas decoradas com tecido e papéis coloridos. Dentro, imagens de santos cercadas de enfeites de lata, papel crepom e flores de pano. Neste relicário, um Jesus negro à frente de bolas de futebol e carros de corrida. Naquele outro, Nossa Senhora da Conceição rodeada de fuxicos. O trabalho de Inés Zaragoza começou há 12 anos, quando recebeu um relicário com a imagem de Santa Edwiges. “Fiquei encantada, mas achei que poderia melhorar”, diz. A imodéstia a fez pesquisar sobre os santos católicos e outras divindades como Iemanjá e Budas indianos.

Hoje, a produtora, que começou criando relicários apenas para os amigos, expõe suas criações em diversos espaços de arte, e fala com propriedade do sincretismo religioso do Brasil, sobre o qual não toma partido – é atéia. “Eu acho que os santos me escolheram para fazer isso”, diz Inés. Além de fabricar, ela também compra peças antigas e as reforma, decorando com bordados de artesãs da cidade de Tiradentes, Minas Gerais, ou com material reciclado.

Projeto Design Tropical da Amazônia
Representante oficial: Native Original Products
Tel.: (92) 3646-1314
E-mail:
Para comprar: Rua Marquês de Santa Cruz, 25, loja 17.
Terminal Internacional. Manaus, Amazonas

Artesanato Solidário/ArteSol
Rua Alves Guimarães, 436 – São Paulo – SP – CEP 05410-000 – Tel.: (11) 3082-8681 – E-mail:
Site: www.artesol.org.br

Espantalhos de Natal da artista plástica Ana Ivo
Tel.: (81) 9959-9216
Para comprar: Rua Francisco Correa de Araújo, 179
Várzea Paulista - Recife - PE
CEP 50740-430

Relicários de Inés Zaragoza
Tel.: (11) 9908-7468 (falar com Rina Ammar)
E-mail: