São Paulo, 18 de Maio de 2013
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Edição nº 06 » A Boneca dos Maracatus
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FIGURAS

A BONECA SAGRADA DOS MARACATUS.

Reverência e respeito. Em sua honra são cantadas as primeiras toadas e loas – louvações em forma de versos improvisados. Presente em todos os maracatus, essa boneca-fetiche passa por um ritual de iniciação, no qual é batizada com rezas e defumadores e adornada com esmero. Venerada como símbolo religioso, acredita-se que a Calunga encarna em seus axés a energia de espíritos ancestrais, garantindo proteção a todos os integrantes do grupo. “A boneca seria a representação de uma divindade dos povos do Congo e de Angola, ou seria ela própria uma divindade ou, ainda, um objeto que dá força e proteção por causa da consagração recebida", contextualiza o pesquisador Roberto Benjamim. Seguindo a tradição dos cortejos de nações africanas, a boneca é vestida como a baiana de sua guarda, uma importante personagem do maracatu conhecida como dama-do-paço. Em homenagem a São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, sempre que o séqüito passa diante de uma igreja, a Calunga é entregue à rainha. Em seguida, passa de mão em mão até retornar aos braços de sua condutora e guardiã, a dama-do-paço. Na elegância dos cortejos do baque virado ou em meio aos canaviais do baque solto, a Calunga figura uma forma de comunicação entre homens e deuses, e como num silencioso milagre emana encanto e espalha celebração. ANDRÉA D'AMATO