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Ritual Jawari - Xingu Século XXI
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Por Revista RAIZ.
07 de fevereiro de 2007

A fotógrafa Babi Avelino fala sobre a questão indígena no Brasil e entra na galeria de imagens de RAIZ.

Babi Avelino fotografa desde 1995. Paulistana de origem, ela vive na Bélgica há 6 anos. Começou a retratar as nações indígenas do Brasil em 2000. O seu mais recente ensaio: "Jawari - Xingu- século XXI" foi  realizado em julho 2006 na aldeia Kuikuro durante o ritual do Jawari. Babi Avelino participou da 5a. Bienal Internacional da Fotografia e das Artes Visuais de Liège- Bélgica (fevereiro) 2006 com a instalação fotográfica "Mensagens".

CLIQUE AQUI PARA VER O ENSAIO.

Entrevista concedida a Thereza Dantas

Como surgiu o seu interesse sobre a cultura indígena?
Em 2002 fiz uma viagem de carro pelo Brasil, foram 6 meses... Aí eu encontrei os Guarani M'bia de Paraty e a Associação Nhandeva.  Acho que foi aí que tudo começou. Me tornei membro da Associação. O interessante é que esta associação é composta por artistas e realizamos projetos para resgatar parte da cultura Guarani que se perdeu com o tempo. São oficinas de cerâmica, colheita do milho... Festas etc. Exposições para arrecadar verba. A partir daí comecei a tratar da questão indígena na minha arte. Mas, foi em 2004 que tudo ficou mais claro. Em Porto Seguro num dos jogos dos povos indígenas que pude encontrar, conversar, descobrir uns 40 povos dos 220 que estão no Brasil. Foi simplesmente maravilhoso, pois além das competições ocorreram debates e fóruns e pude ver que os indígenas estão mobilizados e conscientes. Isso me deu mais vontade de fazer minha parte para que a diversidade do mundo sobreviva a todo este capitalismo.

Você levou suas fotos para a Europa também...
Em 2005 estive na ONU em Genebra, Suíça, para assistir á uma reunião dos povos indígenas do mundo, e lá pude compreender de uma maneira bem menos romântica e mais baseada em fatos, do que se está em jogo quando, por exemplo, uma terra é invadida, ou quando um governo não quer reconhecer uma tribo etc. Em 2005 participei de um evento sobre o Brasil, em Bruxelas, na Bélgica. Com uma "cabana da Amazônia" haviam fotos minhas, mas também estive lá para explicar ao "povo" um pouco do que eu sei sobre a problemática indígena e do desmatamento notavelmente no estado do Mato Grosso.Em 2006 eu criei, organizei e participei de uma expo coletiva sobre as nações indígenas "Traditions et Modernité" na 5a. Bienal Internacional da Fotografia e das artes visuais de Liège. Além de foto, teve mostra de vídeo de realizadores indígenas e um dia de teatro com contos indígenas e oficinas para crianças. Estava prevista conferências com lideres indígenas, mas infelizmente o patrocínio não saiu e tive que cancelar. Esta expo foi para Antuérpia, Bélgica, em novembro de 2006 e vai para Huy em maio 2007. http://users.skynet.be/takuaju/indexsemana.htm
Em junho de 2006  organizei uma pequena mostra com vídeos de realizadores indígenas em Bruxelas, havia música com tema "índios" e degustação de tapioca.

Como você vê a questão indígena no Brasil?
Eu enxergo essa questão no Brasil como um pássaro que voa em boa direção, pois há indígenas que se mobilizam, associações indígenas que são criadas, manifestações organizadas. Vejo também muitos não-índios, sensíveis à toda esta problemática. Mas por um outro lado, o pássaro não tem vida fácil, tem sempre que lutar muito para sobreviver... Eu ainda vejo o governo caminhar em direção contrária, permitindo, mesmo sem querer, a invasão de terras já demarcadas, homologadas... Patrocinando, mesmo que indiretamente, de desmatamentos enormes, poluição de rios... Vejo personagens do governo tratarem a questão indígena com desprezo e desrespeito. Vejo ainda um paternalismo por parte do governo, missionários que deixam muitas comunidades dependentes... Vejo uma sociedade brasileira ainda bem ignorante e preconceituosa em relação aos povos indígenas. Isso é triste! Falta de informação? Falta de conhecimento. Por isso acho que cada um de nós, os sensíveis, deve fazer sua parte. Sem exagerar, a questão indígena é a questão do futuro, da Terra. Se eles quisessem, os poderosos do mundo, poderiam aprender muito com as sociedades indígenas que em pleno século XXI ainda praticam um desenvolvimento sustentável, mas que infelizmente está sempre sendo ameaçado pelo tal progresso.

E a questão do próprios índios que agora estão brigando pelos seus direitos?
Muitos indígenas se prepararam para enfrentar o mundo da sociedade dominante há anos. E que mesmo vivendo constantemente com esta nossa sociedade, não perderam o contato com a sua própria comunidade. Vejo estes indígenas fazendo esta ponte o que antes era feito somente pelos não-índios. Me orgulho. Eu acho que no Brasil há alguns indígenas capazes de um dia, assumir a presidência do FUNAI. O que seria lógico. Vejo jovens indígenas usando internet, fazendo vídeo, manifestando... Vejo os mesmos jovens, orgulhosos de pertencerem a tal etnia, de aprenderem os ensinamentos do pajé. Estudando sua língua... Respeitando a natureza... Respeitando os mais velhos... Como antes. Como sempre. Claro que toda esta mudança de valores, influência tudo e que se não estiverem bem conscientes, preparados, ou seja, se for tudo de uma vez, bruscamente, pode-se perder as tradições ou o significado delas, mas na maioria das vezes, eu vejo indígenas "modernamente tradicionais" e acho, de verdade, que seja possível se desenvolver num mundo diferente do seu, dentro da sociedade dominante, pegando o que há de bom nela, misturando com sua própria cultura e assim vivendo sem perder as tradições. A gente acaba até admirando mais, nossas raízes quando nos distanciamos um pouco delas.

Leia a entrevista que Babi concedeu ao projeto Rota Brasil Oeste em fev 2006. http://www.brasiloeste.com.br/noticia/1793/bienal-liege

Conta um pouquinho sobre os dias que você passou na aldeia Kuikuro. Algum causo interessante?
Fui privilegiada. Convidada por um amigo muito querido, um jovem kuikuro que também realiza vídeos. Sabia que estava indo visitar sua casa, sua outra casa, pois ele também vive na cidade... No coração uma mistura de ansiedade, felicidade, medo de fazer alguma coisa errada e curiosidade...

No exterior existe uma visão preconceituosa sobre a questão indígena no Brasil?
Pelo contrário! No exterior eles são muito mais interessados os povos indígenas do que no Brasil. Mas isso, por que aqui na Europa, as pessoas têm muito mais valor para o governo, para a sociedade. Infelizmente no Brasil a vida de uma pessoa não vale muito.  Mas aqui, como aí, eles têm uma visão romântica da coisa. Que índio tem que se vestir de índio e morar na floresta. Ah, aliás eles acham que só existem índios na floresta Amazônica e quando eu falo que há índios em São Paulo, eles não acreditam. E por isso tento passar a informação através da arte, talvez assim, consiga fazer minha parte. Ajudando as nações serem conhecidas, elas serão mais respeitadas e assim o mundo pode ser melhor. Pois acredito que todos nós estamos ligados. Tudo está ligado. Acho que tenho o apoio dos indígenas, pois um cacique Kuikuro me confirmou isso.

Babi Avelino
E-mail:
Site: www.takuaju.com