São Paulo, 26 de Maio de 2017
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O som do tambor de Minas Novas
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Por Revista RAIZ.

Por Thereza Dantas


O som dos tambores já podia ser ouvido desde a entrada do espaço dos oficineiros. No festival de grupos da Cultura Popular Brasileira do Vale do Jequitinhona, MG, o Festvale, uma série de oficinas ministradas pelos mestres ou griots são oferecidos á população e visitantes. Na área do terreno da escola estadual Manuel Fulgêncio, nesse pátio, embaixo das falsas figueiras, adolescentes e adultos esticam couro. O cheiro do couro é forte. No meio dos adolescentes, batendo em alguns dos tambores recém criados o Mestre Antonio Bastião fala sobre o tipo de couro, o tipo de amarra, o tipo de corpo do tambor. É um senhor alto, que usa chapéu de couro e tem um grande sorriso.
Mestre Antonio Luiz de Matos é da comunidade de São Bendito do Capivari, em Minas Gerais, e garantem os entendidos que seus tambores são melhores de toda a região. Último mestre-artesão que domina o ofício de tamborzeiro.

Mesmo com o crescimento da indústria de instrumentos musicais, os verdadeiros congadeiros não dispensam um bom tambor rústico, produzido artesanalmente e de preferência fabricado pelo Mestre Antônio Bastião.

Sua conversa é cheia de pausas e agradecimentos a “deuzenossosenhô”. Mestre Antonio Bastião na sala de aula da escola estadual, apresenta seus instrumentos de trabalho, suas madeiras, seus couros. Para caixa da folia a melhor madeira é o piquizeiro seco, para o arco, a mutambinha da flor branca, para fazer o tambor, o couro verde tem que ser esticado com estacas e preparado com cinzas e colocado ao sol.

Sua oficina de tambores está assentada no conceito da oralidade. Mestre Antonio Bastião ensina o que aprendeu com seu avô que aprendeu com seu avô, dos tempos da África. Ele é um mestre, um griot, como são conhecidos os mestres que repassam conhecimento nas comunidades ou grupos étnicos africanos. E por isso seus cuidados com a madeira, que devem ser cortadas “três dias depois da minguante”, com o couro, que deve “ficar ao sol, secando, até ficar estalando”, tudo para mostrar o autêntico som dos povos africanos.

Serviço:
Para contatar Mestre Antonio Bastião
Josita Artesã – 33 – 3764-7027 ou na Prefeitura de Minas Novas: 33 – 3764-1104, em Minas Gerais