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Era uma vez um grão de café...
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Por Revista RAIZ.
18 de março de 2007

Livro “CAFÉ – UM GRÃO DE HISTÓRIA”, conta a fábula do “descobrimento” do café na Etiópia até os nossos dias.

Por Thereza Dantas
 
O livro é luxuoso e conta a história de um dos melhores e mais queridos produtos brasileiros. Café – Um Grão de História, editado pela Dialeto, chega às livrarias do país com um destaque notável: representa uma nova referência de leitura para os amantes do café. Com ineditismo, a publicação revela histórias saborosas sobre esse grão que se espalhou pelo mundo, levando riquezas; provocando conflitos e admiração; promovendo mudanças econômicas e culturais por onde passou.
O livro traz fotos produzidas especialmente para este trabalho e imagens históricas até então nunca publicadas. O texto é de Sérgio Túlio Caldas e as fotografias são de Vito D’Aléssio.
Se o café não é originário das terras brasileiras, com certeza gerou mudanças significativas na nossa cultura. A origem do café ainda está perdida em um labirinto de suposições. Porém, evidências botânicas sugerem que o cafeeiro é originário da atual Etiópia. Com o passar do tempo, a planta desceu aos vilarejos da planície costeira daquele país para transformar-se em uma bebida muito apreciada pela gente local. Dali, o café alcançou os portos do Mar Vermelho, onde ganhou interesse particular de governos e de agricultores. A disseminação do grão dava naquele instante seus primeiros passos para conquistar o mundo árabe.
Após conquistar o oriente médio e gerar muita riqueza, as sementes ganharam as terras do Egito, Síria, Turquia e Grécia. Na Turquia, Europa e países  árabes, as casas de café consagravam-se como ponto de encontro de comerciantes, intelectuais, religiosos e artistas. No outro lado do Atlântico, o grão conquistava os Estados Unidos, dando combustão para sua independência – mais tarde, o país se tornaria o maior consumidor de café do planeta. Através de caminhos clandestinos, as sementes alcançaram a Guiana Francesa. E foi da colônia da França, nas proximidades da linha do  equador, que o café seria trazido também por “vias ocultas” para brotar em solo brasileiro.
A publicação é bilíngüe em português e inglês, e representa uma nova referência para o ambiente editorial brasileiro. Em uma parceria inovadora no mercado, o livro já está a disposição na maior rede de cafeteiras do Brasil, o ‘Fran’s Café’.

A seguir uma pequena entrevista com os autores do livro Café- Um Grão de História, o fotografo e jornalista Vito D’Aléssio, coordenador da Editora Dialeto e  do jornalista adepto ao pé na estrada,  Sérgio Túlio Caldas, concedida a Thereza Dantas.

O livro Café - Um grão de História deu muito trabalho na parte da pesquisa iconográfica?
Vito D’Aléssio: A pesquisa cobriu todos os acervos do Brasil diretamente relacionados ao café, além de todos os principais acervos do eixo Rio - São Paulo. Como resultado, tivemos imagens absolutamente inéditas, datadas do século 17 até os dias de hoje que foram identificadas em documentos que a primeira vista não se relacionavam com o tema. Por exemplo: a imagem do porto de Moka, no Iemem, do desenhista holandês Vander Aa.
 
O público tem acolhido com interesse os lançamentos dos chamados "livros de arte"?
Vito D’Aléssio:
Existe uma lacuna na identificação do que hoje é um livro de arte. O fato de um livro buscar o requinte no acabamento não significa que ele deva abrir mão do conteúdo. Os livros da Dialeto priorizam sempre a questão documental e seu papel como obras de referência para o público interessado e trabalhos de pesquisa, porém estimular a percepção dos leitores através de um projeto editorial arrojado, linguagem poética, ergonomia adequada à leitura, é absolutamente adequado a exigência desta nova sociedade em plena revolução da comunicação ( que convive com uma super oferta de informação )e que espera sempre mais dos produtos relacionados aos temas com os quais se identificam.
 
O café é uma bebida quase brasileira, mas sua história é pouco conhecida de quem o aprecia. No Brasil, apesar de sermos exportadores, as variedades na forma de tomá-lo ainda é pouco sofisticada. Você acredita que isso está mudando?
Sérgio Túlio Caldas: Não tenho dúvida alguma de que o café, nosso tão agradável cafezinho, está ganhando status, tornando-se cada vez mais uma bebida para ser apreciada e degustada -- e com todo o merecimento! Vamos recordar que até recentemente o café era lembrado principalmente como um dos mais importantes produtos de exportação do país. No entanto, a partir da entrada do século 21, ele "cresceu": surge como café gourmet, feito com grãos selecionados, blends e por meio de processos de alta qualidade. O resultado é que temos então uma bebida para ser degustada com prazer. Pode até ser um pouquinho de exagero (apesar de ter muito apaixonado por café afirmar que não...), mas ele tornou-se uma bebida para ser apreciada como um bom vinho.
Outro fenômeno que prova que nosso cafezinho virou "gente grande" são as cafeterias especializadas que se espalham pelas grandes cidades brasileiras. Ali, além dos melhores cafés que são servidos (e em opções variadíssimas e saborosas no cardápio), os ambientes convidam a leituras e encontros com amigos -- um velho hábito na Europa e na vizinha Argentina. Sem falar, claro, das tradicionais casas de café no Oriente, como na Turquia.
O café, definitivamente, amadureceu...  
 
Você contou a história do café como uma pequena fábula. Existe uma magia em torno dessa bebida para você?
Sérgio Túlio Caldas: O próprio descobrimento da bebida, conforme a lenda, já é pura magia. A história do pastor etíope, que descobre os potenciais da bebida por meio das cabras que comem bagas de café, estimula a curiosidade de quem a ouve. O café tem um incrível poder de magia, e há muitos fatos em torno disso. O livro "Café - Um Grão de Histórias", narra muitas delas. Há, por exemplo, um caso muito interessante a respeito do café em Meca, a cidade sagrada do mundo muçulmano. Quando ele ficou conhecido ali, no início do século 16, tornou-se um incrível "pólo" de atração: em torno de um bule e de xícaras de café, músicos, sábios e filósofos se reuniam noites a fio para conversar e discutir os mais diversos assuntos. Tal hábito acabou provocando a ira dos muçulmanos mais radicais, que consideraram a bebida como algo pernicioso. Muitas cafeterias, na época, acabaram devastadas pela fúria religiosa. Outra magia: pergunte a um mineiro se ele não daria seu reino por um pão-de-queijo acompanhado de um café bem quentinho passado no coador. Mais uma: você conseguiria resistir ao cheiro inebriante de cafezinho sendo feito numa cozinha de fazenda do interior do Rio de Janeiro? Só pode ser coisa de magia.
 
O café une o popular e o erudito?
Sérgio Túlio Caldas: Está nos quatro cantos do mundo, servido bem quentinho (às vezes, gelado) e saboreado democraticamente: não importa se nos velhos copos americanos dos balcões de padaria do Brasil, ou nas xícaras de fina porcelana chinesa nos salões do Palácio de Buckingham, na Inglaterra -- a monarquia britânica "inventou" o hábito de tomar chá (depois de conhecer os sabores da bebida na Índia), mas é o cafezinho que estimula (também) a realeza.


SERVIÇO
Livro: Café – Um Grão de História
Texto de Sérgio Túlio Caldas e fotos de Vito D’Alessio
Editora: Dialeto Latin American Documentary (www.dialeto.com)
120 páginas
Preço: R$ 98,00