Sao Paulo, 18 de Maio de 2013
Seções
Agenda de Eventos
Entrevistas
Imagens de RAIZ.
Últimas Notícias
Vídeos de RAIZ
   
Vendas
Cultura e Pensamento


 
Dá para viver Junto?
Imprimir E-mail
Por Revista RAIZ.
17 de dezembro de 2006
A convivência entre periférico e central é o tema da 27ª Bienal Internacional de São Paulo.

Como Viver Junto é o tema da 27º Bienal Internacional de São Paulo. E junto com artistas plásticos estrangeiros, a Bienal trás a Fiat Mostra Brasil e a JAMAC para dentro do espaço “erudito” do Pavilhão da Bienal.
A partir do dia 7 de outubro, coletivos de artistas, projetos visuais da periferia dos grandes centros urbanos e o tradicional artista plástico estarão à vista dos que forem visitar o Pavilhão da Bienal de São Paulo no Parque Ibirapuera.
Nas páginas da revista RAIZ. 6, a curadora Lisette Lagnado fala sobre o conceito dessa mostra. No portal RAIZ. entrevistamos um dos curadores da Fiat Mostra Brasil, o professor Stéphane Huchet e a artista plástica Mônica Nador, que está construindo junto com seus alunos uma pequena revolução estética no bairro da periferia paulistana. A 27ª Bienal Internacional de São Paulo abriu as portas e os limites físicos do Pavilhão e invade – ou é invadido – por projetos e coletivos que não freqüentam as nobres paredes das galerias da cidade. Um dos projetos é o JAMAC (Jardim Miriam Arte Clube) que foi criado pela artista plástica Mônica Nador, que desenvolve trabalho com jovens da comunidade do bairro da periferia da zona sul paulistana.

Eles transformam, com suas pinturas, escolas, casas e praças do bairro assim como abrem caminhos de transformação em suas próprias vidas. Para a artista plástica formada pela FAAP em 83 e que pintou sua primeira parede dentro do Museu de Arte Moderna de São Paulo, na década 90, alguns dos “meninos” entraram para o mundo da arte. “O Gota é monitor na Pinacoteca e a Carla é monitora na Bienal. Eles querem continuar, querem estudar artes plásticas”, conta a artista.
O fotógrafo mineiro Nino Rezende, que vive atualmente em São Paulo, cedeu algumas imagens para a Galeria RAIZ. onde mostra as paredes, os muros, as casas e as pessoas que participam do projeto JAMAC. “Comecei o trabalho de documentação para uma revista. Depois que conheci a Mônica continuei a registrar a intervenção e quero iniciar em janeiro de 2007 uma oficina de fotografia com os alunos do projeto”, explica o artista.

Nino Resende está nas paredes da Galeria Olido dentro da exposição Visão Trocada, Berlim – São Paulo, com imagens de sua experiência de 15 anos na Alemanha. Na mostra, Mônica e os adolescentes que participam do projeto, também vão pintar uma parede/ponto de ônibus no prédio de Oscar Niemeyer no Parque do Ibirapuera. A artista que mora atualmente no bairro onde trabalha, Jardim Miriam, contou um pouco sobre o projeto e a necessidade de uma aproximação da arte com a realidade.

Entrevista concedida a Thereza Dantas

Como surgiu o projeto no Jd. Miriam?
É melhor contar do princípio: primeiro eu passei das telas para a pintura de casas. Saí do cubo branco. Queria que minha arte tivesse uma forma útil. Cheguei nesse modelo de oficinas, mas também não me satisfizeram, precisava passar mais tempo numa comunidade. Encontrei a Associação Arte Despertar consegui um contrato de 1 ano no Jardim Miriam, mas fiquei com eles apenas 3 meses.
Pensei comigo: quero ser meu próprio chefe! E assim comecei o meu trabalho no JAMAC e assim iniciei meu trabalho com os moradores, com os meninos. Cada exposição era uma casinha que a gente pintava. Usei minha visibilidade como artista para mostrar o Brasil.

E os moradores, como vêem o JAMAC?
Hoje moro aqui no Jd. Miriam. Com os moradores a arte flui de forma legal. O Jardim é um clube de verdade com jovens que tem um verdadeiro interesse pela arte. A vida é dura, mas tem um monte de artistas e eles adoram o projeto.

Vi alguns muros, são muito coloridos, que referência você utiliza em seus trabalhos no bairro?
Pra falar a verdade, são referências de 15 anos atrás. Esse repertório da arte islâmica é lindo e atraem rapidamente, usei como uma forma de atraí-los.
Eu também sou muito colorida. Isso estimula e atrai os alunos. Um dos integrantes o Willian começou escuro, um ano depois as cores estavam explodindo. Acho que tudo isso deu certo !

E quais são as referências dos alunos?
São os desenhos tribais – uma trip alucinada, os desenhos infantis, com vários desenhos de brinquedos e a auto representação, com figuras de negros, punks, índios. Tudo muito urbano.

Vocês preferem os muros?
Eu sempre gostei de muros. Quando abandonei a tela iniciei um trabalho muralista na com a Universidade Solidária. Construí essa estrutura nesse período de trabalhos que desenvolvi nas comunidades de Beruri, no Amazonas, Barbalha, no Ceará e em Ouro Preto, Minas Gerais.
Na Bienal vamos fazer um grande mural que também é o ponto de ônibus que levará o público para Jd. Mirim Arte Clube.

O que os difere do grafite?
Não sei o que difere um grafite de um mural. O que me torna diferente dos grafiteiros? Eu estudei... Na verdade eu sou de outra escola, só isso. Aprendi muito com os grafiteiros depois que iniciei o trabalho na JAMAC.

E para você, o que é o JAMAC?
Eu não me acostumo com o circuito da Arte no país. Eu duvidava se o que eu sabia era arte. Todo esse projeto se apropriou de mim, amadureci. Mas acho que a arte no país está mudando. Estamos parando de ficar no nível simbólico, colocando os pés no chão... Além do mais esse simbolismo todo, venhamos e convenhamos é muito cafona!


SERVIÇO:
27ª Bienal Internacional de São Paulo
De 7 de outubro até 17 de dezembro, de terça a sexta; das 9h ás 21h e sábado, domingo e feriados das 10h ás 21h.
Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, São Paulo
Entrada gratuita.