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Cidadão Samba - SP
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Por Revista RAIZ.
30 de julho de 2009
A história do samba paulista por Osvaldinho da Cuíca no documentário da DGT Filmes.
 


Há tempos o samba paulista pedia um registro de sua história. E o ano de 2009 parece ser o prazo para pagar essa dívida com a memória musical do Estado. Em maio último, foi lançado o livro “Batuqueiros da Paulicéia – Enredo do Samba de São Paulo” (Editora Barcarolla), escrito pelo sambista Osvaldinho da Cuíca e pelo crítico e pesquisador André Domingues. Agora é a vez do documentário “Osvaldinho da Cuíca: Cidadão Samba”, que estréia na quinta-feira, às 20h30, no CineSesc. Às 19h30, Osvaldinho fará um pocket-show no local com convidados especiais.
 
Ambas as obras tratam de recuperar a história do samba paulista, uma vez que o ritmo, nas suas diversas vertentes regionais, acabou praticamente adotando os padrões carnavalescos do Rio de Janeiro a partir da década de 40. Produzido pela DGT com direção de Simone Soul, o documentário é conduzido pelo mestre Osvaldinho, figura que representa o samba paulista em sua raiz e que acompanhou sua evolução ao lado de Adoniran Barbosa, Geraldo Filme, Henricão, Germano Mathias, entre outros grandes nomes.

A percussionista e diretora Simone Soul concedeu uma entrevista via e-mail à jornalista Thereza Dantas, em que conta a trajetória do documentário e do samba de São Paulo pelos olhos de Osvaldinho da Cuíca.


Portal RAIZ.: Como foi dirigir um documentário sobre o samba paulista? Que tipo de recorte você utilizou?
Simone Soul: Não posso dizer que dirigi um documentário sobre o samba paulista, mas sim que proporcionei, junto a Miriam Capua e Toni Nogueira da DGT Filmes, um encontro de pessoas que viram a necessidade de registrar a historia de Qsvaldinho, que é a própria historia do samba paulista, e ele sendo o narrador , na qualidade de cidadão samba, demonstrando e dividindo com o publico toda sua vivencia e sabedoria.

Posso dizer que Osvaldinho dirigiu o documentário, no sentido de dar o caminho  a ser percorrido, na sua historia de vida, pois não planejamos o filme, ele foi surgindo, não tínhamos um roteiro, resolvemos começar a gravar e acompanhar Osvaldinho, nas suas atividades, de 2004 até ano passado. Foi um processo completamente ao inverso do convencional, também porque eu não tenho nenhuma experiência com direção de filme. Foi simplesmente um acontecimento.

Utilizamos vários tipos de mídia como linguagem, por ser um documentário histórico, temos imagens de arquivo pessoal de Osvaldinho, como fotos digitalizadas, imagens de vhs, imagens de película e mini dv, com várias contribuições de pessoas que já vinham registrando trabalhos do Osvaldinho, como Thomas Farkas, Oswaldo Colibri, Soraia Rocha e a TV Cultura.

Portal RAIZ.: No documentário há novidades sobre a história da samba de São Paulo?
Simone Soul: Sim. Osvaldinho conta essa historia de uma maneira onde tudo parece ser novidade, pelo frescor que ele conduz o filme e pelas informações quase inéditas ao publico mais distante do samba, como por exemplo, sobre a atuação do engraxate na manutenção do samba de São Paulo, desde a sua batucada nas caixas de engraxar sapato, ate a importância dessa profissão na época das gafieiras, a relação desses engraxates com os sambistas, onde o próprio Osvaldinho tem o orgulho de dizer que foi. Pra mim, esse é o ponto auge do filme. E claro que ele fala da nova cena do samba de Sao Paulo, de grupos com quem ele tem se relacionado, como o Quinteto Branco e Preto, Samba da Vela, mas  Osvaldinho , como é um cara exigente, também lamenta o desaparecimento dos cordões, das tradições do samba de São Paulo, e deixa claro a transformação desse samba por conta dos moldes do samba do Rio de Janeiro, que ajudou na descaracterização do samba paulista por conta de uma necessidade de adaptação.
 
Portal RAIZ.: Há menção ao samba rural?
Simone Soul: Completamente. Osvaldinho começa falando do samba de Pirapora, do samba da barra funda, das procissões, dos cordões,o lado sagrado e profano do samba. Ele tem total respeito a essa tradição do samba de São Paulo, do samba de bumbo, dona Maria Ester de Pirapora, dos acontecimentos nos dias de festa, onde os romeiros, depois das atividades religiosas, se encontravam no antigo galpão para fazer seus batuques...o samba rural é o que caracteriza o samba de São Paulo, a mistura do branco com o negro, que é a perola desse sotaque, diferente do samba dos morros do Rio...

Meu sonho é que algum cineasta se interesse em fazer um longa sobre o Osvaldinho e sua historia, que é a historia do samba de São Paulo. Esse documentário é só o começo...




Serviço:

Lançamento do documentário “Osvaldinho da Cuíca: Cidadão Samba”,
Dia 30 de julho, quinta-feira, até dia 6 de agosto, com sessões às 20h30
CineSesc - Rua Augusta, 2.075, São Paulo, SP.
Entrada gratuita