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A velha guarda paulista - SP
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Por Revista RAIZ.
21 de julho de 2009


Evento marca lançamento da coleção com os Cds da Velha Guarda Unidos do Peruche, Tias Baianas Paulistas, Embaixada Paulista do Samba e Toniquinho Batuqueiro


Fotos Rui Mendes



O Samba Paulista reflete a alma da cidade de São Paulo que cresce e transforma seus costumes e valores, desde sua ancestralidade rural de origem africana, indígena e européia. Mostrar essa parte importante das raízes vivas que fundamentam esse samba é o objetivo da coleção Memória do Samba Paulista. São os primeiros quatro, de uma série de 12 CDs, que chegam ao mercado pela associação das entidades culturais Kolombolo  e Sambatá, distribuido pela Tratore e com produção  dos músicos T. Kaçula e Renato Dias.

Sambatá é uma entidade dirigida pelo músico Guga Stroeter e pela produtora Gisela Moreau que tem como propósito preservar e difundir a ascendência africana como fator determinante no universo da cultura brasileira.  Kolombolo visa divulgar o samba paulista como uma das identidades do seu povo e, para isso, desenvolve atividades culturais e educativas que têm como centro a arte e a conquista da cidadania. É liderado pelo músico Renato Dias, a produtora Lígia Fernandes e o historiador Max Fraoendorf. Os próximos lançamentos são os da Velha Guarda da VaiVai, da  Nenê de Vila Matilde, da Rosas de Ouro e da Vila Maria e o dos compositores Ideval e Zelão.
 
Embaixada do Samba Paulistano – Fundada em 1995, na sede da União das Escolas de Samba Paulistanas, numa iniciativa de Mestre Gabi, Toniquinho Batuqueiro, Hélio Bagunça, Paulão da Lapa e Fernando Penteado, para preservar aspectos do carnaval paulistano. Entre outras atividades, a Embaixada é responsável por indicar e avaliar os possíveis candidatos a Cidadão e Cidadã do samba de São Paulo, um concurso anual que acontece desde os anos 70. Hoje tem mais de 20 integrantes de diferentes Velhas Guardas de São Paulo.

No repertório do CD, O Samba através dos Tempos – Biografia do samba (Talismã e Tabu), Meu sabiá (Mestre Feijoada), Cabaré (Ideval e Zelão), Avanço da tecnologia (Paulão da Lapa e Wilson Passarinho) e um pot-pourri com uma série de sambas de bumbo, uma das raízes do samba paulista.
 
Velha Guarda Unidos do Peruche - A zona norte de São Paulo concentra grande número de agremiações carnavalescas, mas nem sempre foi assim. Na década de 40, lembra Carlos Alberto Caetano, o Carlão do Peruche, fundador da escola, havia apenas uma escola de samba no Parque Peruche, a Ritmos do Morro. Moradores da Casa Verde, Limão e Parque Peruche se quisessem participar das grandes festas e desfiles precisam sair do bairro para e ir até as escolas Lavapés, Garotos do Itaim e Campos Elíseos, por exemplo.

Carlão participava ativamente da Lavapés até desentender-se com a diretoria da escola e fundar em 1955, a sua Unidos do Peruche. No CD, intérpretes se revezam para mostrar obras e relembrar os baluartes que fizeram história nessa comunidade, dentre eles, Geraldo Filme (Tradições e Festas de Pirapora), Carlão do Peruche (Repicar dos Tamborins), Geraldo Filme e Narciso Lobo (Avante Mocidade) e Fernando ‘Cabelo’ (Argumento).
 
Tias Baianas Paulistas - O grupo foi idealizado por Valter Cardoso, o Valtinho das Baianas, entre 1994 e 1995, com integrantes das escola Nenê de Vila Matilde, Camisa Verde e Branco e Vai Vai, como o objetivo de valorizar a história e o papel das baianas nos desfiles e no dia a dia das agremiações.

Ao mesmo tempo, Valtinho possibilitou ao grupo ter um espaço para desenvolver atividades à parte das escolas, onde as Tias Baianas pudessem mostrar suas habilidades pessoais, aprender mais sobre suas funções no carnaval, discutir as condições de desfile, promover apresentações como um grupo vocal e um símbolo do samba. No repertório, Samba sem sambista (Thiago Barroca), Marinheiro Só (Caetano Veloso) e Bumbo de Pirapora (T. Kaçula e Renato Dias).

Toniquinho Batuqueiro –
Nascido Antônio Messias de Campos, em 1929, em Piracicaba (SP), foi lá que ganhou o nome artístico e também aprendeu com tambuzeiros e curuzeiros sobre batucada, ginga e verso. Aos 10 anos, veio morar na zona norte de São Paulo (Parque Peruche), onde, mais tarde, conheceu outros sambistas e passou a circular em rodas de samba e de tiririra, principalmente no centro da cidade, onde trabalhava como engraxate.

Sua originalidade e a de seus contemporâneos como Geraldo Filme e Zeca da Casa Verde, foi reconhecida pelo escritor e dramaturgo Plínio Marcos, que os convidou para fazerem a trilha sonora dos espetáculos Balbina de Iansã (1970) e Plínio Marcos em Prosa e Samba – Nas Quebradas do Mundaréu, lançados em LP posteriormente. Além de seu samba com forte influência da música rural, Toniquinho obteve sucesso como compositor de sambas de quadra e de enredo. Fez história na Rosas de Ouro, Unidos do Peruche e Unidos de Vila Maria.

A vivência com o samba paulistano, mesclada ao sotaque rural de sua música compõem o repertório deste seu primeiro disco solo, que tem músicas próprias como Marra no mourão, Ditado antigo, Pé de serra, A pontinha, Sá dona, essa última em parceria com Geraldo Filme.


Serviço:
Shows de lançamento da coleção de CDs Memória do Samba Paulista
23 de julho – quinta – 21h - Embaixada do Samba Paulista
24 de julho – sexta – 21h – Velha Guarda da Unidos do Peruche
25 de julho – sábado – 21h – Tias Baianas Paulistas
26 de julho – domingo – 19h30 – Toniquinho Batuqueiro
Sesc Santana - Av. Luiz Dumont Villares, 579, Santana - São Paulo, SP
Quanto: 16 reais, 8 reais (meia entrada) e  4 reais (comerciários)
Mais informações: (11) 2971-8700