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A primeira obra de Ariano Suassuna - MT
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Por Revista RAIZ.
17 de setembro de 2006
Companhia de Teatro Mosaico encena Uma Mulher Vestida de Sol, na Chapada dos Guimarães

Por Fábio Rayel

Estréia dia 16 de setembro, Uma Mulher Vestida de Sol, obra de Ariano Suassuna, presença confirmada para o espetáculo no Horto Florestal, Chapada dos Guimarães. Suassuna escreveu essa peça em 1947, com 20 anos de idade e quase 60 anos depois, a Companhia Teatro Mosaico adapta o texto para do autor para o teatro, com uma novidade: o palco-natural. Na montagem, os atores estão ambientados em pleno cerrado mato-grossense. A história é sobre uma tragédia nordestina, abordando dramas universais como a luta do homem pela terra. O texto de Ariano é uma fusão entre o barroco e o popular, o real e o mítico tendo uma atmosfera de amor e violência. Em entrevista a RAIZ., a diretora Maira Jeannyse explica mais como foi a adaptação de Ariano para os palcos, em meio a natureza.

Como surgiu a idéia em usar o palco-natural?
O rigor climático, desértico que é narrado pelo texto, cuja ambientação é sertaneja, muito se evidencia no serrado mato-grossense, além de evidentemente, viabilizar a possibilidade de abarcar um maior público, reiterando o caráter popular, tão presente na obra de Ariano Suassuna.

Quais foram as dificuldades encontradas?
Certamente na questão de apropriação espacial e os imprevistos que se seguem a partir daí, como mudanças bruscas de temperatura, mas contrapondo-se a isso, estas mesmas dificuldades criam possibilidades de adaptação e reversão da precariedade em arte, até porque creio que o fazer teatral pode acontecer em qualquer espaço, partindo da relação humana onde um fala algo e outro participa, escutando.
O que o espetáculo pretende passar aos seus expectadores? O texto é preponderantemente atual no que diz respeito à disputa fronteiriça, resultante da ausência de diálogo entre dois fazendeiros que se digladiam por causa de terra, o que não diferencia das guerras travadas entre palestinos e judeus ou ainda nas mais longínquas referências de embate humano, onde o indivíduo precipita seu destino a um desfecho trágico.

Como foi sua experiência com o Teatro Mosaico?
Sou oriunda do Rio de Janeiro, onde desenvolvo meu trabalho teatral há 16 anos, e lá, tradicionalmente, não existe um movimento de fomentação de criação de grupos teatrais, o que de certa forma traz a minha relação com a Companhia Mosaico, um ineditismo. Apesar de não exercer a direção teatral em grupos teatrais, creio que os elementos primordiais ao fazer teatral, como o construir artesanalmente a cenicidade e o convívio diário entre elenco e produção, só têm a contribuir ao teatro.

Você acha que as lutas que Ariano colocou ainda persistem pelo Brasil?
No que concerne à questão defendida pelo Movimento Armorial, cujo objetivo era a valorização da cultura popular como conceito erudito e de formação de identidade cultural, creio que ainda persistem a desinformação e o conceito pejorativo do que vem a ser popular. Se considerarmos que a cultura popular é a manifestação mais autêntica de um povo, necessita-se de uma real aceitação da arte mais purista - a artesanal - desenvolvida por figuras determinantes na continuidade da cultura de um povo.

O Ariano Suassuna chegou a dar algum auxílio na montagem?
Nosso contato com Ariano possibilitou o intercâmbio de informações acerca da cultura popular e certamente sobre esta obra específica, no que concerne aos elementos da tragédia, que neste caso não é sertaneja, mas universal, humana. Suassuna revela-se a cada encontro nosso um artista não apenas renomado, mas uma figura humana ímpar, generosa, colocando seu vasto conhecimento à disposição da cultura.


Dia: 16 de setembro a 20 de outubro, todas as sextas, sábados e domingos
Horário: 20 horas
Info.: (65) 8401-3626
Site: www.teatromosaico.com.br
Mapa: http://www.teatromosaico.com.br/view_news.php