Espetáculo contemporâneo se inspira na origem do frevo e discute a violência da cidade do Recife.
Símbolo da capital pernambucana, o frevo é uma dança de quase cem anos, junção entre elementos da capoeira - na época proibida por lei -, com marchas, maxixes e dobrados tocados por bandas militares e civis. No espetáculo Fervo, dirigido pela bailarina e coreógrafa Valéria Vicente, a dança serviu de matéria-prima.
Fervo estréia dia 14 de setembro no teatro Apolo, no Recife, e tem uma missão maior: discutir a violência da cidade. O espetáculo questiona a herança cultural recifense, e os quatro dançarinos e atores interpretam livremente as informações pesquisadas, abrindo mão da rigidez acadêmica das escolas de dança popular, em prol da busca de novos caminhos de expressão. “Gostaria que as pessoas se permitissem a mergulhar em nossas investigações, refletir sobre as sensações do espetáculo e sobre o porquê de uma dança tão alegre, pode ao mesmo tempo falar sobre agressividade”, diz a bailarina.
Uma representação dramática, Fervo vem para provocar. De maneira criativa e com muito improviso, assim como o frevo. “O espetáculo propõe um espaço para o desejo de mudança”, ressalta Valéria.
A trilha sonora ficou por conta de Silvério Pessoa e Yuri Queiroga. “O frevo está no início de um novo momento, e acredito que o hibridismo vai ser a tônica da música do futuro, com o frevo fazendo parte”, diz Queiroga.
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