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Os 300 discos
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Por Revista RAIZ.
16 de novembro de 2008
O músico Charles Gavin, baterista do Titãs, lança o livro “300 Discos Importantes da Música Brasileira”


E se aquele garoto quiser estudar os arranjos de Moacir Santos? E se aquela garota quiser cantar alguma música de João do Vale? E se aquele estudante quiser ouvir o saxofone de Pixinguinha? E se alguém quiser conhecer a obra monumental de Jackson do Pandeiro? Como fará se seus discos não estiverem disponíveis?

O livro "300 Discos Importantes da Música Brasileira" tem 434 páginas sobre o assunto MPB e quer responder essas perguntas. Para Charles Gavin, baterista do grupo de rock Titãs e curador do livro “300 Discos...”, esse é um importante passo para o resgate da memória cultural de nosso país. “É assunto sério, fundamental e urgente. As gerações que estão por vir precisam de meios para localizar e valorizar a identidade brasileira. E mais: se reconhecerem nela. Este é, e sempre será, o objetivo dos projetos que produzo há dez anos: a preservação da memória da música brasileira”. O livro no formato 31cm x 31cm,  tem as medidas de um LP – “afinal, os autores pertencem à era do LP, do vinil, da bolacha”, diz Gavin. Fartamente ilustrado pela capas de todos os discos, o volume tem ainda fotos inéditas, índices por nome do artista e por título do disco. Além disso, como bônus, dois CDs encartados de álbuns históricos de Moreira da Silva (O Último Malandro, de 1959) e Elza Soares (Baterista Wilson das Neves, 1968).

Para a empreitada, foram convocados três jornalistas e escritores com quem Gavin compartilha idéias e opiniões: Tárik de Souza, Arthur Dapieve e Carlos Calado. Para completar a equipe, ele convidou mais três consultores que entendem muito de música brasileira: Caetano Rodrigues (a maior autoridade do planeta em bossa nova), Valdir Siqueira (colecionador de LPs e consultor) e Zeca Loro (criador e diretor de Loronix, um dos melhores blogs sobre música brasileira). Eles se alternam nas resenhas dos discos, divididos em cinco capítulos por períodos: Gravações de 1929 a 1959 (31 títulos), Gravações de 1960 a 1969 (77 títulos), Gravações de 1970 a 1979 (104 discos), Gravações de 1980 a 1989 (47 discos) e Gravações de 1990 a 2007 (41 títulos).

“Após inúmeras reuniões,” diz Gavin, “conseguimos selecionar os 300 discos. Porém, ficou o gosto de quero mais – qualquer número é insuficiente para expressar a grandeza e a riqueza de nossa música.”

O trabalho de resgate da música brasileira de Charles Gavin
“Meu primeiro projeto de resgate de discos esquecidos nos acervos das grandes companhias foi realizado em 1998 para a Warner, gravadora dos Titãs na época. Os dois primeiros LPs dos Secos & Molhados foram relançados juntos em um CD que, em menos de dois meses, vendeu mais de 50 mil cópias, marca extraordinária, para um projeto de marketing estratégico realizado com títulos abandonados no catálogo”

O sucesso desse projeto rendeu a músico o convite para fazer uma coleção com mais 14 CDs na própria Warner. Em dez anos de trabalho ele conseguiu recolocar no mercado mais de 450 discos dos catálogos da Som Livre, Universal, Sony/BMG e Warner.

Alguns desses projetos são: Série Elenco (relançamento 20 álbuns do selo independente mais importante da música brasileira, 2001), Som Livre Masters (relançamento de 70 álbuns dos acervos da Som Livre, RGE e Som Maior, 2005), RCA Essential Classics, (relançamento de 40 títulos raros do acervo da BMG, 2004), Todo Caetano (caixa com toda a discografia retaurada de Caetano Veloso/Universal Music, 2002); Bossa Nova e Outras Bossas: Design e arte das capas dos LPs (livro de arte contendo mais de seiscentas capas do acervo do colecionador Caetano Rodrigues, patrocinado pela Petrobras). Gavin foi o curador do Bossa 50, a exposição temática sobre os 50 anos da bossa nova, realizada na Bienal em São Paulo.

Atualmente ele apresenta dois programas semanais: o Quintessência na Rádio Eldorado FM e O Som do Vinil no Canal Brasil, onde coloca em discussão a necessidade do resgate e preservação da memória da música brasileira.

O lançamento do livro já aconteceu em São Paulo e agora  “300 Discos Importantes da Música Brasileira”, vendido exclusivamente pela Livraria Cultura, quer desfazer essa sensação de que a “música brasileira é a melhor do mundo e a menos divulgada”, segundo Tim Maia. Charles Gavin concedeu entrevista a jornalista Thereza Dantas mostrando que é necessário mudar essa visão.


Portal RAIZ.:  Para quem foi feito o livro  "300 Discos Importantes da Música Brasileira " ?
Charles Gavin:  Para todos aqueles que tenham interesse e curiosidade o sobre o passado e o presente da música brasileira.

Portal RAIZ.: O livro "300 discos ..." pode ser utilizado nas escolas, no ensino da Música?
Charles Gavin: Sim. O livro pode se encaixar bem como complemento do estudo da história da música brasileira.

Portal RAIZ.: Nessa lista de 300 nomes, quais são os músicos de raiz que fazem parte do livro?
Charles Gavin: Citaria Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Marinês e sua Gente e Quinteto Armorial. Sua música, bem diferente da que se faz no sul e em outros cantos do país, é na minha opinião, um dos maiores tesouros de nossa cultura. Fico emocionado, de uma forma diferente, toda vez que escuto seus discos. Talvez seja a influência que a cultura nordestina sofreu de indivíduos que emigraram das nações ibéricas e árabes.

Portal RAIZ.:  Música brasileira é tão diversa que não existe "A Crise", mas alguns estilos musicais caem em desgraça, enjoam... o excesso de vezes que são tocadas nas grandes rádios estilos musicas como o Axé Music, o Sertanejo, Rock Nacional e até ícones como Milton Nascimento, Djavan, Caetano e Roberto Carlos pode criar essa sensação, processo porque também passou a música estrangeira?
Charles Gavin: Acontece que a mídia ocupou um papel extremamente importante na sociedade contemporânea e é óbvio que exageros são cometidos, mas o que compositores, músicos, produtores e etc, podem fazer a respeito? A única coisa que tenho certeza é que todos procuram sempre dar o melhor de si e o que acontece com sua obra depois de lançada é algo que está fora de seu controle. Para mim a música brasileira é algo que se assemelha ao mar - as vezes está verde, as vezes azul. Há maré alta, depois maré baixa. Hoje está calmo, ontem estava bravo e por ai vai. De que jeito você prefere? Seja como for, não dá pra viver sem ele, certo?

Portal RAIZ.:  Você se preocupou em fazer resenhas para o livro. A crítica musical no Brasil morreu?
Charles Gavin:  Fiz apenas dois textos sobre os disco Geração de Som de Pepeu Gomes e `A procura da batida perfeita de Marcelo D2. Tárik me convenceu de que na condição de produtor e idealizador do livro, eu tinha que escrever alguma coisa. Não acredito que não existem mais bons críticos. É como em todas as profissões, há bons e maus críticos.

Serviço:
Lançamento do livro “300 Discos Importantes da Música Brasileira”
Com patrocínio da Petrobras, o livro tem 434 páginas e está à venda exclusivamente na Livraria Cultura (www.livrariacultura.com.br)
Quanto: 230 reais.