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Esquina musical paulistana
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Por Revista RAIZ.
23 de junho de 2008
Sexagenário Bar Brahma apresenta a nova Esquina da MPB em São Paulo.


Nesta segunda-feira, dia 23 de junho, o sexagenário e tradicional Bar Brahma apresenta sua nova ala: a Esquina da MPB, localizada na mais famosa e poética esquina da cidade de São Paulo – a da Av. Ipiranga com a São João. O espaço contemporâneo oferece programação musical composta por novos talentos da música, serviços turísticos, café, exibição de filmes e acesso à mídia digital. Para estrear um espaço plural como a Esquina da MPB, a apresentação escolhida foi a do consagrado cantor e compositor João Bosco e da big band instrumental Banda Mantiqueira.

O show da segunda-feira (23/06) é exclusivo para convidados, mas, a partir de terça-feira (24/06), a Esquina da MPB será aberta ao público com apresentação do cantor e compositor paraibano Vital Farias. A programação de estréia segue por toda a semana. Na quarta-feira (25/05), o show é da vocalista da banda Pato Fu, Fernanda Takai.  Quinta (26/05) é a vez sambista, com o compositor popular e escritor Nei Lopes. Os sambistas Luiz Carlos da Vila e T. Kaçúla fazem show na sexta-feira (27/06) e, no sábado (28/06), a apresentação é do multi-instrumentista Hermeto Paschoal. No domingo (29/06), haverá exibição do documentário sobre futebol brasileiro “Ginga”.

A semana de estréia será também de boas-vindas aos futuros e promissores artistas que farão shows de domingo a domingo na Esquina da MPB. “Ali o público conhecerá os próximos Caubys, Wanderléias e outros ícones da música, que começam a surgir, vindos de diferentes regiões do Brasil, para encantar as próximas gerações”, aposta Álvaro Aoás, um dos proprietários do Bar Brahma. A seleção dos músicos que tocarão na Esquina da MPB está sendo feita com o auxílio de um grupo de curadores especialistas em música, como os jornalistas Patrícia Palumbo, Mauro Dias, Chico Pinheiro, José Neumanni Pinto e Gilberto Dimenstein.

História do Bar Brahma
O sexagenário Bar Brahma foi fundado 1948 pelo alemão Henrique Hillebrecht, no mesmo prédio onde funcionou a Boate e Confeitaria Marabá. Logo, o Bar Brahma se tornou o ponto de encontro de músicos, poetas, intelectuais, políticos e empresários. Nos anos 50 e 60, o local foi uma referência de elegância. Circularam por lá personalidades como Jânio Quadros, Fernando Henrique Cardoso, Adhemar de Barros, Adoniran Barbosa, Orlando Silva, Ari Barroso e Vicente Celestino.
No início da década de 60, a repressão alterou comportamentos e tendências e, dentro desse contexto, o bar foi palco de discussões políticas entre os estudantes da Faculdade de Direito e ponto eleito para negócios de fazendeiros do interior. Nos anos 70 e 80, o centro entrou em declínio e o público mudou. As misérias sociais fizeram da redondeza deste ponto um lugar perigoso e temido.
Em julho de 1997, com o cenário externo já modificado, o bar reabriu com o nome de São João 677, após uma breve reforma de 15 dias.  Mas, não demorou muito o bar tornou a fechar, deixando os freqüentadores e a cidade órfãos de um importante ponto de encontro que já fazia parte da boemia, história e cultura de São Paulo.

A data de reabertura do novo Bar Brahma foi 09 de janeiro de 2001. Depois de ser arrematado pelos empresários Álvaro Aoás e Luis Marcelo Lacerda, a casa passou por uma restauração completa, que preservou os traços arquitetônicos originais. Hoje o Bar Brahma tem uma média de quase 1.500 atrações por ano, o que gera em torno de 4.800 horas de música. Atualmente, centenas de artistas se apresentam no local. Entre eles, Jair Rodrigues, Cauby Peixoto, Wanderléa, Demônios da Garoa, Luciana Mello e Jair de Oliveira e Vanessa Jackson. Já passaram pelo palco da casa grande nomes como Jamelão, Ângela Maria, Carolina Soares e Luiz Ayrão.

Decoração e arquitetura da Esquina da MPB
A Esquina da MPB tem dois andares, área total de 300 metros quadrados e capacidade de ocupação para 200 pessoas. Com características contemporâneas e high-tech, o novo espaço foi projetado pelo arquiteto Roberto Madureira. Para a criação de toda a estrutura, foram investidos R$ 1,5 milhão.

Relíquias de artistas consagrados da MPB serão usadas na decoração. Entre elas estão: um terno xadrez de 20 anos usado pelo cantor Cauby Peixoto em seus principais shows; um disco de outro do grupo Demônios da Garoa; um chapéu e uma camisa da Mangueira que pertenceram ao já falecido Jamelão e um casaco vermelho que Jair Rodrigues tem desde 1966.

A Esquina exibe em duas tvs de plasma, a programação de shows da semana, computadores com acesso à internet e serviço Wi-Fi. As mesas serão dotadas de fones individuais e o freqüentador opta por ouvir ou não o som do que está sendo exibido nas telas.

Uma parceria com o site I-Música, uma das maiores empresas de distribuição de mídia digital, permitirá que o público adquira músicas legalmente via download. “Esquina da MPB é um pólo cultural multimídia que se integra ao esforço de revalorização do centro da cidade. Queremos que tenha funcionamento ininterrupto, o que contribuirá para mais segurança na região e atração do público qualificado”, define Luis Lacerda, um dos proprietários do bar Brahma.


Perfil dos Artistas da programação de estréia
JOÃO BOSCO – 23 de junho – Para convidados
Em 1972, João Bosco e seu parceiro Aldir Blanc foram esperar Elis Regina na escadaria do Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro. Eles não conheciam a cantora, no auge do sucesso, mas achavam que a música que compunham era boa e merecia ser ouvida. Elis estava chegando para o ensaio do show Falso Brilhante. Mas sentou na escada para ouvir o que aqueles dois meninos desconhecidos tinham a dizer. E ficou encantada. Mudou o roteiro do show. Gravou três músicas deles no dia seguinte, revelando a dupla espetacular e um dos músicos mais influentes da canção brasileira moderna. Mineiro de Ponte Nova, Minas Gerais, João Bosco Mucci mudou o jeito de se tocar samba (e outros gêneros) ao violão. Para além dos dotes superiores de compositor e cantor, autor de dezenas de clássicos, João é baliza para os violonistas do Brasil e do exterior.


VITAL FARIAS – 24 de junho – Aberto ao público
Vital Farias não participou diretamente do Movimento Armorialista, criado em 1970 por Ariano Suassuna. Mas sua obra enquadra-se no cânone armorialista – criar uma arte erudita  a partir da cultura popular. Em toda a sua obra, marcada pelo violão de traço clássico, ouvem-se as lendas das lavadeiras, o pranto dos enterrados, percebe-se o vazio e a riqueza do sertão. Nascido no município de Taperoá, no sertão da Paraíba, Vital – caçula de 14 irmãos – teve como cartilha de alfabetização a literatura de cordel. No início da idade adulta dava aulas de violão e teoria musical em João Pessoa. Em meados dos anos 70 foi para o Rio de Janeiro, onde participou com ator e compositor do espetáculo Lampeão no Inferno, de Luís Mendonça (que lançou, entre outros nomes, Elba Ramalho, Zé Wilker, Tânia Alves). Seu primeiro disco, de 1978, foi enaltecido pela crítica. Emendou vários sucessos populares – Caso Você Case, Margarida, Sete Cantigas para Voar, Ai que Saudade d’Ocê.  Mais recentemente, trabalhou com João Batista de Andrade na trilha do filme O Homem que Virou Suco. Cantador bissexto, Vital ficou pouco tempo no Sudeste. O bastante, porém, para deixar registradas as participações nos três volumes dos discos Cantoria (ao lado de Elomar, Xangai e Geraldo Azevedo).

FERNANDA TAKAI – 25 de junho – Aberto ao público

Descendente de japoneses, a mineira Fernanda Takai começou carreira musical em Belo Horizonte, participando da banda Data Vênia. Depois de outras tentativas, com outros grupos, finalmente chegou ao Sustados por 1 Gesto, que vira a tornar-se o hoje conhecido grupo Pato Fu. Formada em Comunicação pela UFMG, a guitarrista, compositora e voz principal do Pato Fu, um grupo dedicado à música pop, ainda que um pop de cores delicadas, Fernanda é personalidade em ascensão e sua desassombro rendeu, no ano passado, o surpreendente disco  Onde Brilhem os Olhos Seus, dedicado à obra de Nara Leão. Escritora, editou, também no ano passado, o livro Nunca Subestime uma Mulherzinha, reunião de crônicas publicadas em diversos jornais.


NEI LOPES – 26 de junho – Aberto ao público
Escritor, pesquisador, advogado, compositor, cantor, autoridade em assuntos da cultura afro-brasileira (sobre o que é consultor do Dicionário Houaiss). Nei Braz Lopes nasceu no subúrbio carioca do Irajá e começou a fazer sucesso como compositor no início dos anos 1970, quando chegou ao disco sua volumosa e primorosa parceria com Wilson Moreira. Ali estava o samba em roupagem de fundo de quintal, cuidadoso no trato das raízes e, ao mesmo tempo, melódica e poeticamente inovador. Autor de pérolas como Senhora Liberdade, Samba do Irajá, Tia Eulália na Chiba, Nei Lopes é parceiro, entre muitos, de Guinga, Cláudio Jorge, Moacir Santos, para mencionar astros de diversos estilos.  Seus livros são fundamentais para o entendimento da cultura negra na formulação da identidade brasileira. Alguns títulos: Bantos, Malês e Identidade Negra, Dicionário Banto do Brasil e a magnífica Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana.


LUIZ CARLOS DA VILA e T. KAÇULA – 27 de junho – Aberto ao público
Apesar do nome artístico remeter à escola de samba de Vila Isabel, Luiz Carlos nasceu no subúrbio de Ramos, e iniciou-se na música freqüentando os famosos encontros de fundo de quintal do bloco Cacique de Ramos.  Em termos poéticos como musicais, é reconhecido como um dos mais sofisticados autores do samba carioca – O Sonho não Acabou, Nas Veias do Brasil, Além da Razão e Herança são alguns exemplos de sua obra primorosa. Foi um samba seu – Kizomba, Festa da Raça – que deu à Vila Isabel o primeiro campeonato no desfile das escolas do Rio. Parceiro de Martinho da Vila, Sombra, Sombrinha, Zé Catimba, Manacéa, Tião Grande, Bandeira Brasil, Luiz Carlos gravou, além de discos autorais, um CD em homenagem ao seu mestre Candeia (A Luz do Vencedor). Já T. Kaçula é referência para a  história do samba de São Paulo, com olhar voltado menos para o aspecto urbano do gênero e mais preocupado com suas raízes rurais – raízes estas que, de resto, diferenciam o samba paulista do carioca.


HERMETO PASCHOAL – 28 de junho – Aberto ao público
Não havia músicos na família do menino albino nascido em Olho d´Água e criado em Lagoa da Canoas, município de Arapiraca, interior alagoano. Mas o garoto Hermeto Paschoal, bem novinho, fazia um pífano com talo de mamona e tocava para os passarinhos. E é reconhecidamente um dos maiores gênios da história da música em qualquer tempo e lugar. O autodidata Hermeto é virtuose de todos os instrumentos (de sopro, corda, couro ou eletrônicos) existentes e transforma em instrumento o que lhe caia na mão – uma chaleira, uma bacia d’água, um toco de madeira. Sua arte rompeu todos os limites de linguagem: popular e erudita, nordestina e jazzística, nenhuma classificação o contém. Sua obra complexa e múltipla está registrada em discos de piano solo ou com bandas formidáveis. Mas seus discos são pouco perto da obra, pois Hermeto jamais toca duas vezes igual a mesma canção. Sua inquietude o levou a compor, em 2001, o portentoso Calendário do Som – uma música para cada dia do ano. Matéria, naturalmente, obrigatório para todo estudante de música.

Serviço:
Lançamento da Esquina da MPB
Esquina da Av. São João com a Av Ipiranga – Centro de São Paulo - SP
De terça a quinta, as apresentações começarão às 21h. Na sexta-feira e sábado serão às 22h e no domingo, às 19h. O couvert artístico é de R$ 20.
Mais informações e reservas: (11) 3333-3030