São Paulo, 24 de Maio de 2013
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Edição nº 04 » Gulerdúcio dos Santos
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FIGURAS

A GRANDE ARTE DE GULERDÚCIO.

Bom Jesus é uma localidade do município de Parnaíba, no Piauí. Lá, na década de 1960, existiam apenas seis casas e muita pobreza. Era tanta escassez que faltava até brinquedo. A solução para a criançada era o improviso, e nisso José Gulerdúcio dos Santos era bom. Tão bom que criava não apenas seus brinquedos, mas também os de seus colegas. Eram cavalos e bois feitos com “galhos de pau”.

Aos dez anos, já apelidado de Guilherme, foi levado para Parnaíba e se convenceu de que era artista. Em um concurso conquistou o primeiro lugar graças a seu tatu de madeira, em tamanho natural, com cabeça e cauda móveis. A fama chegou cedo, mas ele não ligava, queria era esculpir.

O mundo rural tornou-se inspiração para, figuras do campo trabalhando em meio à vegetação. Peças de imburana e cedro, entre 60 centímetros e 2,30 metros, que apesar das grandes dimensões trazem riqueza de detalhes. Em cada canto, escondido do olhar mais desatento, encontra-se uma nova imagem, toques sutis na folhagem, nas expressões faciais, nos movimentos, nos animais que adornam os galhos, como miniesculturas dentro da mesma escultura.

Nos últimos 30 anos, foram incontáveis as colunas de madeira que receberam cortes e tintas, e ganharam o Brasil e o mundo. Apesar de toda essa repercussão, Guliherme prefere continuar em Parnaíba, “um lugar bom e tranqüilo”, onde pode se dedicar a outro ofício: aulas gratuitas para que jovens possam tirar seu sustento da madeira e do barro.

Leonardo Leão