São Paulo, 23 de Maio de 2013
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Edição nº 04 » Da lata a madeira
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BENS DE RAIZ

OS PÁSSAROS DA CAATINGA.

SERTANEJOS DE SANTA BRÍGIDA, NA BAHIA, INSPIRAM-SE NOS ANIMAIS TÍPICOS DA SECA DA SECA E FAZEM ARTE A PARTIR DOS GALHOS SECOS.

Azulão, canário, tucano, nambu, coruja, arara, carcará, garça e galo-da-campina são algumas das aves que habitam o Polígono das Secas, no Nordeste. Mais do que simples integrantes da fauna da região, esses pássaros se transformaram em fonte de renda para um grupo de moradores de Santa Brígida, município
baiano com cerca de 20 mil habitantes, a 420 km de Salvador, na divisa com Sergipe. São 36 sertanejos, de adolescentes a avós, que formam a AASB (Associação de Artesãos de Santa Brígida) e se dedicam à criação de peças em madeira e palha de ouricuri, espécie de palmeira, mais conhecida como licuri.

Com a palha são feitos chapéus, cestos e bolsas, contudo a veia artística desse povo realmente pulsa nas aves esculpidas em madeira. Em meio à caatinga, o artesão identifica um graveto que vira pata, um tronco que vira pescoço, tudo com muito movimento e sutileza. “Já chegamos a fazer tatus e cágados, mas os pássaros têm mais saída”, ressalta Zé de Rita, nascido José dos Santos Braga, presidente da associação.

Morador da zona rural, assim como 80% dos membros da AASB, o filho de dona Rita, também artesã associada, era funcionário da prefeitura e hoje se dedica exclusivamente à sua arte, lutando junto com os colegas pela conquista de uma sede própria. Além da participação em feiras na região e na capital baiana, os artesãos de Santa Brígida comercializam suas obras através de encomendas feitas pelo telefone. As peças variam de 10 cm a um metro de altura, podem ser coloridas ou rústicas, e custam de R$ 3 a R$ 30.
Tucano e galo-da-campina 14 cm, R$ 3, Garças 22 cm e 31 cm, R$ 3 e R$ 7.

AASB – Associação de Artesãos de Santa Brígida
Rua dos Romeiros, 218 - Santa Brígida - Bahia. Tel.: (75) 3698-2064

A ARTE NA LATA DE JUAZEIRO DO NORTE. FOLHAS-DE-FLANDRES DESTACAM-SE EM MEIO À RELIGIOSIDADE NORDESTINA.

Juazeiro do Norte, segunda maior cidade do Ceará, é a sede da Associação de Artesãos Padre Cícero e do Centro de Cultura Popular, espaços de formação de novos artesãos. Fundada por Padre Cícero, em 1872, depois de um desentendimento com os governantes do município de Crato, Juazeiro do Norte foi planejada como uma cidade auto-suficiente.

Com uma forte agricultura e um parque industrial contando com fábricas de plástico, bebidas, couro, refrigerantes, alumínio, confecções, móveis e laticínios, o município tem como principal característica as pequenas empresas, de fundo de quintal, e os pequenos comerciantes que formam a economia informal.

Embalada por um forte turismo religioso, a cidade tem um artesanato local variado, que inclui santos, lamparinas, oratórios, marionetes e bichos de madeira e miniaturas feitas com folhas-de-flandres, usadas na confecção de latas. Dentre essas últimas peças RAIZ. destaca os barcos de José Maurício, que podem ser encontrados na loja BK Design, em São Paulo. As peças costumam ser pintadas, mas José Maurício prefere trabalhar suas obras em metal cru.
Navio de folha-de-flandres 50 x 20 x 40 cm, R$ 246.

BK Design
R. Iaiá, 74 - Itaim Bibi - São Paulo. Tel.: (11) 3073-0239 / 3073-0317

AS REDES DA MULHER RENDEIRA. LOJA PAULISTA DIVULGA A FUSÃO DE BRASIL E EUROPA NAS RENDAS DE ALAGOAS.

Trabalhos com renda sempre fizeram parte da tradição brasileira, mas no litoral alagoano as rendeiras incorporaram uma nova característica. Esposas dos pescadores locais, elas perceberam que as imigrantes holandesas traziam em suas vestes uma espécie de renda muito parecida com a rede de pescar. A partir dessa observação, o trabalho manual foi sendo aperfeiçoado. As rendeiras passaram a tecer e bordar adaptando a renda européia à vida simples da população praieira.

Primárias no início, hoje as figuras assumem formas geométricas mais arrojadas e um colorido moderno, fazendo do filé uma arte atual. Para dar vazão à grande variedade de desenhos, foram surgindo pontos que receberam nomes exóticos e até românticos, como bom gosto, jasmim, costela-de-adão, olho-depombo- entrançado, bolachão, parafunda, besourinho e rosas pequeninas.

Reconhecendo a beleza da renda alagoana, a loja ArteSã, na cidade de São Paulo, incluiu em seu acervo bolsas, xales e echarpes com detalhes que trazem muito charme e delicadeza, e podem ser comercializados para todo o país.
Bolsa laranja 20 x 40 cm, R$ 115.

ArteSã – Artesanato e Gastronomia
Rua Paulistânia, 450 - Vila Madalena - São Paulo. Tel.: (11) 3815-6149


VIOLA IMATERIAL. INSTRUMENTO TÍPICO DO PANTANAL ENCANTA UNIVERSITÁ-RIOS, E SE TORNA PEÇA DE DECORAÇÃO EM CAMPINAS.

No pantanal mato-grossense, nas cidades de Corumbá e Ladário, os mestres artesãos repassam aos jovens aprendizes a tradição e os saberes da confecção da viola-de-cocho, principal instrumento utilizado no cururu e no siriri, manifestações folclóricas características do Centro-Sul do país. Reconhecida pelo governo federal como patrimônio imaterial do Brasil, em 2004, a viola-de-cocho tem seu corpo confeccionado escavando-se um tronco inteiriço de ximbuíva ou sarã. Já para o cavalete, o rastilho, o espelho e as cravelhas, a madeira trabalhada é o cedro.

Em Campinas, no interior paulista, a loja Casa dos Contos vende a viola como peça de decoração. Há dois anos a loja divulga o trabalho de artistas e artesão brasileiros no bairro de Barão Geraldo, onde fica a Unicamp (Universidade de Campinas) e, de acordo com Laura Candiotto, proprietária da Casa dos Contos, as peças têm muita aceitação entre os estudantes. “Nossa loja é muito freqüentada por universitários, sejam eles dos Institutos de Arte ou até mesmo de Física, que preferem objetos da cultura brasileira para decorar a casa”, diz.
Viola-de-cocho 70 x 10 x 25 cm, R$ 250.

Casa dos Contos
Rua Américo de Campos, 146 - Barão Geraldo - Campinas - São Paulo. Tel.: (19) 3289-6777