| Músicas |
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A Donzela Guerreira do Anima |
| postado em 14/03/10 |
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A DONZELA GUERREIRA DA MÚSICA INSTRUMENTAL E MUNDANA DO GRUPO ANIMA |
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"Do encontro da tradição medieval com a música regional brasileira, o grupo Anima surge como uma revelação de novas sonoridades, inaugurando um caminho dentro da música brasileira atual." Nas palavras do maestro Benjamim Taubkin.
Os espetáculos do ANIMA – musica mundana humana et instrumentalis, são o resultado de intenso trabalho de pesquisa de interpretação baseado na música de comunidades não letradas, afastadas de centros urbanos no Brasil e na música da Idade Média e do renascimento europeus.
ilustração divulgação Adão Pinheiro
A temática abordada pelo ANIMA – musica mundana humana et instrumentalis é a do encontro entre o feminino e o masculino, anima e animus, representado através do mito da DONZELA GUERREIRA. Em todas as culturas e épocas, operando tanto nos substratos mitológicos quanto históricos, não faltam referências a mulheres guerreiras que, com valentia, bravura, idealismo, e uma necessária dose de transgressão, lograram assumir, com competência, papéis predestinados aos homens.
Exemplos da recuperação do mito da Donzela Guerreira em formas eruditas são encontrados no teatro de Shakespeare e na poesia épica de Torquato Tasso, a partir da qual Monteverdi criou sua Clorinda, o anti-herói do famoso Combatimento, que surpreende ainda hoje por sua contemporaneidade. No Brasil, Guimarães Rosa reformulou e atualizou este arquétipo na paisagem árida do sertão, na figura emblemática de Diadorim. Como seus antecessores, este personagem, pivô das paixões no Grande Sertão: Veredas, segue guiado pelo exemplo-matriz de todas as donzelas guerreiras, a figura mítica de Palas Atena.
Espelhando-se na transgressão e diluição de fronteiras operadas pela dama guerreira, o Grupo ANIMA vai além e busca, na diversidade cultural brasileira, elementos autóctones para se contraporem às donzelas guerreiras medievais, como Hildegard von Bingen, e as versões do cantar feminino emolduradas pelas cantigas de amigo, principalmente as atribuídas a Martin Codax e Afonso X. Através de elementos provenientes das culturas indígenas e afro-brasileiras, com o foco na música de rituais como o do iamurikumã das índias do Alto Xingu e das visões, das índias Kaxinauá e dos rituais femininos das caixeiras-do-divino, ainda hoje praticados pelas mulheres em suas respectivas comunidades, apresentamos um roteiro musical baseado em repertório da Idade Média e do Renascimento europeus que se intersecciona e funde com a música indígena, afro-brasileira e da tradição oral brasileira. Este roteiro musical inclui ainda versões do romance da donzela guerreira recolhidas na Paraíba e na Bahia.
ANIMA – musica mundana humana et instrumentalis, que se notabilizou por construir sua linguagem musical alicerçada sobre pólos estéticos da música medieval ibérica e da tradição oral brasileira, desconstrói cronologicamente este romance, enfocando a batalha interior travada pela revelação tardia de um amor impossível, que, entretanto, leva ao auto-conhecimento marcado pela travessia e pelo encontro entre anima e animus. A abordagem dramática deste roteiro conduz o ouvinte a uma concretização contemporânea onde o tempo linear e histórico é diluído e as fronteiras estético-musicais são afrouxadas.
Deixando de lado justamente a oposição entre autor versus autora, que do nosso ponto de vista, induz a um viés sexista, este programa propõe uma maior ênfase na abordagem temática do feminino do que na questão de gênero pura e simplesmente. Isto implica em acolher obras compostas não só por mulheres, mas também por homens que abordaram o tema do feminino em matizes pouco convencionais. A transgressão dos papéis masculino/feminino, que serve de base ao contexto dramático no romance da donzela guerreira, opera batalhas em diferentes níveis: do discurso da guerra propriamente dito, ao discurso subliminar da conquista amorosa, representando um combate que não dispensa as táticas de aproximação e recuo, mas que nem sempre se resume a vencidos e vencedores.
Prestes a completar vinte anos de existência, ANIMA – musica mundana humana et instrumentalis, traz à tona uma múltipla gama estético-musical, contextualizando-a dentro da contemporaneidade, o que permite uma abordagem musical além dos limites e fronteiras restritos à produção musical convencional.
Donzela Guerreira direção cênica: Maria Thais cenário e figurino: Márcio Medina desenho de luz: Fábio Retti assistente de figurino: Carol Badr
Divulgação Rainha Zinga
Serviços:
http://www.animamusica.art.br/
CD à venda em todas as unidades do SESC SP e na Loja virtual do SESC www.sescsp.org.br |
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