...um inexplicável mosaico de sensações, daqueles bem coloridos e que a gente fica olhando e olhando por um tempo incontável. Há mais de seis anos venho experimentando pedacinhos do mosaico mineiro, sem olhar pro relógio ou virar pra trás. Minas tem que olhar de frente, concentrar-se, pra não perder nenhum brilho, raio de sol ou luar.

Digo isso porque estive semana passada em uma cidadezinha mineira chamada Aiuruoca. Fica pertinho de Juiz de Fora, onde moro atualmente. O nome já me despertava olhares curiosos, quando a placa da cidade aparecia na estrada que me levava a outros lugares. Aiuru...o que?

Aiuruoca - ou "casa dos papagaios", em tupi - foi o lugar que escolhi quando me dei conta que devia parar. Parar com essa correria louca que a gente vive todo dia, meio desorientada, meio sem reflexão. Aí você chega lá e dá de cara com o infinito, e se pergunta se precisa de tanto cinza na vida. O bom mesmo é o verde, a montanha, a cachoeira, o papo desinteressado, o celular esquecido, o relógio parado. Depois de longos dois dias de céu azul, duas noites "enluaradas", uma cachoeira belíssima e incontáveis imagens prazerosas, fiquei com uma pena danada de voltar ao preto e branco, com raríssimas inserções pelo colorido.

PS: Preciso de lápis de cor, giz de cera, argila e papel crepom, pra re-inventar esse cotidiano monocromático.